quarta-feira, 30 de maio de 2007

A vida inteira que poderia ter sido I


Na infância, ele não poderia ter feito nada. Não por defeito, nem desfeita, nem por mal-querer. Não poderia ter feito nada, pois aquilo ainda não tinha tocado seu coração do jeito que deveria ter tocando, do jeito que toca hoje. Mas agora que toca, parece que já não adianta mais.

Pensa que melhor seria se tocasse nela, agora, do jeito que toca nele. Antes, tocara nela e não nele. Amores de infância são assim mesmo, de infância, da infância. Pertence a inocência dela, a sua pureza. E suas ilusões são permitidas, pois são, mesmo que somente ilusões, lindas. Então se cresce e parece que não se permite mais sonhar, desejar, iludir.

Criança não tem medo de viver, não tem medo de entrar num caminho errado e acabar caindo. Tanto se luta para caminhar e depois que acha que já pode correr, não quer mais ver o chão como um apoio, prefere acreditar nas suas pernas. Infância. Ele pensa nas coisas que deveria ter feito, mas vê que se tivesse feito antes o que fez hoje, talvez tivera antecipado o que acontece hoje, o fim. No entanto, não sabe se melhor seria ter o fim antes ou agora. Gostaria mesmo que o fim não chegasse, mas parece inevitável.

Medo, por que apareces depois da infância? Por que não desde crianças para que todos possam se acostumar com você? Talvez porque não queiras que seja vencido. Não quer perder. Pena pra você, pois mesmo assim, alguns ainda conseguem derrotá-lo. Pena pra mim, pois com 1 x 0 favorável a mim, ainda ganhas.

terça-feira, 22 de maio de 2007

Lembranças Proibidas I


Mês: outubro, o resto não é preciso.Era uma tarde de poucas nuvens, de sol não muito forte, vento agradável e a rua estava deserta. Todos estavam em suas casas, seus lares. Mas havia uma casa que não tinha ninguém. Era chamada de “Casa de Vidro”, pois quem estava fora dava para ver tudo o que acontecia dentro dela. No entanto, esta bela casa já estava para ser alugada há algum tempo e um fato tenebroso acontecera lá há algum tempo, caso de morte, por isso ninguém a alugava. Haviam rumores de que iam demoli-la pra construir um prédio.
Em frente a essa casa, do outro lado da rua, estavam três jovens. Duas garotas e um garoto. Era um casal e uma prima dela. Estavam quase que sentados em uma árvore e olhavam para a casa. O casal ainda não tinha se beijado e ele esperava ansiosamente por isso. Seu coração batia a qualquer ocasião que ele achasse palpável, mas não passou pelos seus pensamentos que ali poderia ser seu momento. E foi.
Meio que por acaso, meio que rápido demais, mas duradouro e completo. A prima ai à frente quando se virou para ver o porquê do silêncio dos dois, deparou-se com um lindo, meigo e puro beijo. Mas ela não conseguiu ouvir o barulho de gritos e pulos de alegria que saltavam dentro dele.O dia não importava, o local também não. Se alguém via não importava, se as nuvens mudassem também não.Que o mundo acabasse, pois tudo estava completo.

terça-feira, 15 de maio de 2007

Uma foto

Uma foto.
Nada mais que uma foto. No verso, sem nome, sem data, sem localidade. Na frente, um casal.
No fundo, vê-se uma praça com um chafariz no meio, mas eles estão localizados de modo que dá para vê-lo todo. Com um anjinho na ponta e jorrando água pela palma da mão com seus olhos olhando atentamente para aquela mágica. Um leve sorriso salta à sua boca. Ele está em pé na ponta de uma pirâmide, onde a água desce de todos os lados quase invisível. Do lado dela, há uns tantos pombos que ficam do lado esquerdo dela.
Ele veste um casaco vermelho de lã, parece que está com frio, mas não é isso que a luminosidade do fundo nos deixa transparecer. Cabelo preto meio enrolado, um nariz pontudo, mãos grossas e unhas parecendo ruídas. Seu braço direito está sobre o ombro dela. Seu sorriso não parece muito real, meio forçado com um lado da boca mais aberta que o outro. Estranho. Seus olhos olham atentamente para quem vê a foto, como se secasse o observador.
Ela veste um casado marrom de couro aberto com uma blusa meio azulada, de modo que dê pra delinear toda a região do peito áté a barriga. Seus olhos parecem sorrir junto com sua boca e seu olhar não é para o mundo, mas para dentro de si. Seu sorriso mudo e delicado parece único e utópico. Lindo. Cabelo cor de mel liso e espalhado ao vento. Pele lisa. Uma flor.
Uma foto. Anônima e com dois sentimentos: amor e a minha inveja dele.

terça-feira, 8 de maio de 2007

Nós Inesquecíveis I

Não sabe seu nome, nem idade, nem onde mora. Mas ela mexe com ele de uma maneira nada normal.

Só teve a oportunidade, a ilustre oportunidade, de vê-la apenas duas vezes na sua vida. As duas, por acaso.

Na primeira, sua barriga sentiu um frio incomum. Olhou pra ela e quando percebeu que ela ia olhar para ele desviou seu olhar e o frio aumentou. Não sabia o que pensar. Achou tudo muito estranho e tentou tirar tudo aquilo da sua cabeça. Não conseguia. Passou a esperar ansiosamente por uma nova oportunidade de olhar pra trás e vê-la. A oportunidade chegou.
Olhou para trás e, sem que ela o visse olhando pra ela, a contemplava. Linda. Disse que da próxima vez ele ia encará-la para que ela percebesse que ele estava olhando pra ela. Mas não deu. Contemplou por uns 2 ou 3 segundos e virou o rosto. "Como pode isso acontecer? Que coisa mais estranha" ele pensava sem entender nada.

Mas estava decidido, na próxima oportunidade ele iria encará-la. Não sabia o que poderia acontecer, mas queria ter a chance de olhar nos olhos dela. Sua pele parece tão macia, seus olhos calmos, mas atentos. Sua boca bem desenhada e da cor de um vermelho nem tão vermelho e de um rosa não tão rosa. Cor única. Bochechas bem desenhadas e de uma simetria sem-igual. Um nariz redondo, bem feito, como se tivesse sido modelado quando criança. Um queixo não tão redondo, mas com um leve apontamento. Sobrancelhas bem feitas, mas com um desenho normal. Enchida mais do lado perto do nariz e com um e ia afinando suavemente até não restar mais nada. Sua direita estava meio bagunçada. Devia ser por causa do seu olho que estava meio irritado e, por isso, avermelhado. Seus olhos, enfim, ele pode ver seus olhos. Seus lindos olhos com de castanha com mel em cima. Nunca vira nada igual e nem queria depois dela. Um fundo claro, sua pele branca macia combinando perfeitamente. Um conjunto moldado, arrumado, planejado e pensando. Sua pele não era um branco pálido, nem um amarelo doente. Era um branco suave, idealizado, e nunca imaginado. Nem mesmo parecia real.

Enfim, uma nova oportunidade de ele poder encarar ela surge. Ele vira para trás e lá está ela no mesmo lugar, sentada do mesmo jeito, mas agora ele iria prestar atenção nos seus olhos e tentar ver o que tinha por trás deles. Virou. 1, 2, 3, 4, 5. Cinco segundos. Ela virou. Tinha mais gente ao nosso redor, ia ficar algo estranho e constrangedor para nós dois caso alguém percebesse algo. Cinco segundos. Ele conseguiu olhar pra ela por cinco segundos tirar os olhos dela. Sua barriga, novamente, gelou um frio mais intenso que o de antes. Nunca sentira isso. Chegou a ter um certo mal estar, mas foi bom. O que ela estava pensando quando ele a olhava? Será que ela imaginava tudo aquilo. Será que ela imaginava que ele iria ter coragem e força suficiente para encará-la? E depois, o que será que ela pensou depois?

Vestia uma calça jeans meia clara com pequenos detalhes nas costuras da perna do lado de fora. Uma sandália branca. Uma blusinha com cores claras variadas e com um casaquinho simples por cima dos ombros. Seus cabelos estavam soltos, meio loiros, meio ruivos, meio negros. Mais loiros que ruivos, mas parecia natural.

Pronto. Isso foi o suficiente para que ela não saísse mais de sua mente.
Na segunda vez, não houve tanta coisa e nem, ao menos, deu para ele ter a certeza de que era ela mesmo. Mas era!

Ele ia numa direção, havia muita gente em torno de todos. De repente, ele pára e se encosta em uma coluna redonda, como se tivesse esperando algo. Mas cansa. Então, resolve caminhar um pouco e depois voltar para a coluna. Ao se desencostar da coluna e virar para seu lado direito, vê um grupo de amigos com 5 pessoas e ela estava no meio de frente pra ele. Ela poderia estar de lado ou mesmo de costas, mas ela estava de frente. Ao olhar pra frente viu que ela estava de olho na sua direção. Era como se ela soubesse que ele estava ali, que ele iria se virar, que eles iriam se ver, que a barriga dele iria gelar, que isso iria deixar ele nervoso e sem saber qual atitude tomar. Sentiu um frio instantâneo em suas entranhas e suas pernas batiam uma nas outras. Rapidamente ele volta para seu local de origem e fica nervoso e sem saber que atitude tomar. Como ela pode ter adivinhado isso? Mas dessa vez, ele não espera uma oportunidade e vai lá. Cria coragem e vai. Vira para a direita e ver que o grupo permanece lá, mas só 4. Sem ela. Procura ao redor, tenta subir em alguma coisa para tentar vê-la. Pula. Corre de um lado para outro, mas não a encontra.

Sem ela. E assim sua vida segue.

Não importa se ele nunca ouviu sua voz. Não importa se ele está sem ela. Ela não o conhece ou mesmo se nem o nome dela ele sabe. Ele pensa nela. Não importa se ela não sabe disso. Só importa que ela existe. E, para ele, isso já é algo maravilhoso.

domingo, 13 de agosto de 2006

Joaquim

Joaquim mora em uma pacata cidade no interior do mundo. Tudo bem, não tão pacata assim. Em todo o ano passado a polícia registrou 13 assassinatos, 28 assaltos e 15 mortes por motivos desconhecidos. Entidades da cidade dizem que esse número vai aumentar, mas Joaquim não quer nem saber disso. Possivelmente, nem sabe dessas estatísticas sobre sua cidade.

A casa de Joaquim é meio estranha. Parece que não é limpa há meses. Tem dois quartos, um dele e outro que era pra ser de hóspedes, mas funciona com uma espécie de depósito. Na cozinha não há quase nada. Uma geladeira velha praticamente vazia, uma pia quebrada na ponta com uma torneira pingando, uma mesa no centro com alguns sacos de supermercados rasgados, caixas de pizza e algumas latas já enferrujando. Na sala há um sofá velho com uns buracos que as duas almofadas se esforçam para esconde-los. Na mesinha de centro, mais papel de bombom, caixas de cereais e de leite. No entanto, há uma televisão nova que foi ganha num bingo durante um festejo da igreja há muito tempo, mas que quase nunca foi usada.

Joaquim não fica muito tempo em casa. Passa a maior parte do dia sentado no quintal em frente sua casa. Como o muro é baixo, ele pode ver as pessoas passando e elas o vêem sentado em uma cadeira, com barba grande, roupas rasgadas, pele oleosa, chinelo em um pé somente e uma latinha de cerveja na mão. No quintal não há flores, ou rosas, ou mesmo grama. No lugar delas há latas e garrafas de cerveja e cachaça.

As pessoas vão e vem, mas nenhuma fala com ele. Ninguém estende a mão, grita seu nome ou mesmo dá um "oi". Ninguém o conhece. Ele não conhece ninguém. Não tem amigos, colegas ou família. Vive sozinho.

Ao chegar da, esperada, noite, espera não haver mais ninguém na rua. Vai para o quarto, deita-se na cama - única parte limpa da casa - , puxa o único retrato da casa, que está em baixo do travesseiro vizinho ao seu, olha profundamente para a mulher da foto e diz:

- Espero encontrar-te, para a vida eterna, hoje.

quarta-feira, 9 de agosto de 2006

Sinto Falta de Sentir Você

De repente fecho os olhos.
Sinto falta de você. Sinto falta do seu abraço. Do seu carinho. Do ventos dos seus cabelos. E do tato da sua pele.
Sinto falta do seu sorriso. Sinto falta do seu olhar. Do seu jeito de tocar. Do seu andar. E de tudo em ti que nunca reparei.
Olhar que nunca tive. Tato que nunca senti. Sorriso que nunca ouvi. Sinto falta do que nunca tive. Como pode?
Penso em abrir meus olhos para enxugar as lágrimas. Mas já estavam abertos.
Estava te vendo e não sabia. Estives-te sempre no meu coração, mas só agora a vejo.
Sinto falta da lágrima que não caiu. Mas fico feliz ao, finalmente, desaborchar da rosa.
Encontrei-te.

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Passei um tempinho sem postar aqui, né?! Pois é, faltou-me tempo, mas estou eu a escrever textos, um dia passo pro computador e coloco aqui.

segunda-feira, 31 de julho de 2006

Tem que ser lindo


Queria conhecer uma mulher. Uma mulher. Mas não somente mais uma mulher. Queria uma mulher que quando eu a visse meus olhos brilhassem, meu coração disparasse e minha testa suasse. Que minhas mãos tremessem, que boca parasse e minha garganta gaguejasse. Mas que isso acontecesse sem nem ao menos eu saber o nome dela.

Queria sentir o amor logo de vista. Sem apresentações ou cordialidades. Sem conversa ou aperto de mão. Sem carinho ou qualquer demonstração de afeto. Simplesmente que eu sentisse e tivesse certeza do que estava sentindo.

Queria que fosse lindo. Nada mais. Não precisa ser perfeito nem inesquecivel. Não precisa que todos saibam ou que a gente chegue a namorar. Não precisar pensar no futuro e nem mesmo ter um futuro. Só queria que fosse um momento lindo. E, assim, mágico.

Se ela sentisse o que eu sintisse seria ótimo. Mas mesmo assim não precisa. Se um dia a gente trocasse a frase "Eu te amo!", também seria ótimo, mas isso também não precisa. No entanto, queria poder gravar eternamente sua face nos meus pensamentos. Nem que fosse para idealiza-la pelo resto da vida. Mesmo que a gente nunca mais voltasse a se ver.

Só queria que fosse lindo. Lindo. Nada mais.

Se um dia acontecer, farei com que seja lindo. Ou ao menos lutarei por isso.

Amar.
Viver.
Ser lindo.
Viver.
Amar.

Nem tudo na vida tem que ser lindo, mas basta ter amor e saber viver.

domingo, 30 de julho de 2006

Inicio do meu dia e sobre meu blog


Nossa, acordei hoje de manha e meu pai estava no computador. Pedi a bença pra pra ele e percebi que, mais uma vez, ele estava a baixar músicas do Roberto Carlos. Então disse: Pai, o senhor que eu pegue a discografia completa dele, não? Tudo de uma vez só?! Ele sorriu e disse que seria muito bom e mais prático. Acho que quase ganhei meu dia hoje, pois arranquei um sorriso de uma das pessoas que mais amo na vida.

Aí eu peguei o computador e fui procurar a discografia do Roberto e depois que achei entrei no meu blog e vi que em todos os posts havia um comentário a mais, fiquei super feliz e vi que todos são da Kate e mais, ela disse que vai ficar entrando aqui! =D

Meu dia já está praticamente ganho!

Agora acho que devo falar mais do meu blog..
Eu o fiz para expressar o que penso e sinto. Coisas do dia-dia. No entanto, meu amigos não sabem que eu o tenho. Escrevi uma crônica e um texto mais romântico. Espero que possam vir mais! No "Sobre mim" disse que me chamarei de João, mas isso não quer dizer que eu me chame João. Compliquei?! Pois bem, quero ser um anônimo, ver a vida de outro jeito e colocar aqui minhas conclusões. Dedico esse blog a vida e a todos que vivem nela. Por isso, nem sempre meus posts irão falar de mim, mas de algo da vida cotidiana. Mas no meio disso tudo, preciso informar a todos que estou no terceiro ano, e como se trata do fim do ano, pode ser que eu não poste com uma freqüência, mas prometo que postarei sempre que me sobrar um tempinho! #)

sexta-feira, 28 de julho de 2006

Pérolas da vida I

Quero um computador novo. Sim, um computador. Não precisa ser o melhor e nem muito caro. Só precisa ser meu. Só meu.
Sabe, quero fazer minhas coisas nele. Minhas coisas. O que são minhas coisas? Às vezes nem eu mesmo sei. Mas são as minhas coisas e eu quero poder fazer num computador novo. Eu quero fazer num computador novo ou quero fazer num computador que seja meu?
Filosofias da vida me confundem. Por isso eu não quero pensar muito. Simplesmente quero meu computador. Quero. Quero. E quero. Qual o problemas nisso? Calma, é melhor eu não pensar.
Ei, mas como eu vou fazer pra conseguir isso? Eu só estudo. Já sei! Vou tentar arrumar um trabalho, mesmo que pequeno. Dentro de um semestre eu compro. O meu computador, com o meu dinheiro! Ah, como é bom!

SEIS MESES DEPOIS

Pronto, agora já tenho dinheiro mais que suficiente pra comprar meu computador. Vai ser o melhor que qualquer um já pensou em ter. Vou comprar e vou fazer isso agora! Nossa, que demais vai ser o meu computador. No entanto, estão caros esses computadores. Se eu comprar um mais que completo não vai restar nada pra mim depois. Passei seis meses me virando pra estudar e trabalhar para ter meu dinheirinho, não vou gastar tudo de uma vez. Quer saber, eu nem preciso mesmo de um computador só pra mim.

quinta-feira, 27 de julho de 2006

Onde tu estais vento?

Onde tu estais que não estar ao meu lado, ó minha amada?
Por que existes em não falar, em não sentir?
Deuxe-me ao menos tentar proporcionar-lhe a sensação de sentir o que sinto por ti.
Ver o vento e sentir o que há dentro dele. Vento que esvai-se. Vento que não volta, mas deixa rastro nos meus pensamentos. Vento que me faz querer outros ventos.
Vento, me leve. Me leve para onde eu quero ir, já que contigo tudo é mais fácil.
Vento, destrua a nossa tempestade.
Vento, por favor, vente ao meu favor e, ventando, vente ao nosso encontro. Vente nas nossas paisagens e limpe os impecílios dos nossos sonhos.
Vento, ó vento, vente para nós! Vente para mim.

Apresentação

Melhor, sem apresentações! Quando nascemos ninguém nos diz: bem-vindo à vida.
Simplesmente começamos a viver!