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sexta-feira, 29 de julho de 2011

A Agonia do Silêncio

Em meu peito, uma única agonia se faz presente: ver-te, tocar-te, mas não poder dizer-te. Dizer que te amo. Pedir pra voltar. Para me dar uma chance. Para nos dar uma chance. Para você se abrir e ver que tudo ainda pode ser, simplesmente, nosso. Ser lindo. Ser palpável. E olhar, no reflexo dos teus olhos, transforma-me no homem mais feliz que há.

Chegar perto de ti e tocar seus lábios que juntos aos meus ficarão durante o tempo que tempo durar. O tempo que a eternidade há de medir. Ou não, não importa.

Perceber que seu cheiro se misturou ao meu e que enlaçados eles continuarão. Dois corpos exalando um só perfume. O do amor.

E, no ápice do ato, sentir. Sentir que seus sonhos e os meus são iguais. Sentir que seu desejo e o meu se completam, se rasgam, se torcem, se divertem, se amam. Sentir que seu sentimento e o meu não se distinguem, mas se unem e crescem e se fortalecem e se toram vivos e se transformam, cada vez mais, no mesmo único sentimento.

E nada mais haveria de importar.

À Mariana R. Veras.
1 mês e 7 dias sentindo falta.

quarta-feira, 27 de junho de 2007

Lembranças Proibidas II


Era uma segunda feira e o relógio marcava 10h04 minutos. Todos estavam devidamente fardados, alguns subiam as escadas com certa pressa, outros ainda subiam em grupo colocando ainda as conversas, que nunca tinham fim, em dia, outros subiam sozinhos como que pensando em assuntos estritamente pessoais. Um barulho só! No entanto, nem todos subiam. Havia um grupo que somente via os outros subirem, ou nem viam, pois estavam entretidos demais em seus falatórios para prestarem atenção nos outros. Mas no meio de tanta gente havia um casal. Na verdade, ele nem sabia que junto com ela, eles já formavam um casal, talvez, nem ela mesma.

Junto ao pé da escada; junto com inúmeras pessoas ao redor, umas conhecidas, outras não; junto com aquele dia de sol e com algumas poucas nuvens que insistiam em ficar no céu; junto que tudo aquilo de agosto que acabou saindo a gosto de todos (ou quase); junto com o iniciar da semana já quase no término do mês; junto com a ansiedade, medo, desejo, sonhos, euforia, surpresa, taquicardia, sorrisos; junto com tudo saiu um olha nos olhos, um toque na mão, um frente-a-frente, saiu uma simples e singela palavra que soou como a mais bela de todas para ele: sim.

Então, fez-se silêncio, todos sumiram, o lugar mudou, o pé tornou-se cajado para apoio, os sentimentos, as emoções já não contiam-se nele. Tudo o que ele sonhara ouvir, ouviu em um momento inesperado, mas que se tornou o melhor durante muitos dias. Era o início de muitas e muitas datas. E ele ainda não se dera conta, mas aquele da seria comemorado mensalmente e que depois de um tempo, seriam contados até os segundos a partir daquela data para um presente futuro.

E, a partir daquele dia, eles viveram felizes para sempre enquanto duraram. Mas ela durou bem mais do que ela pensa.

quinta-feira, 7 de junho de 2007

Dança comigo?


Meus pensamentos são invadidos, ainda pela manhã, pelo que te pertence. Nem me foi permitido sair da cama e tu já estavas acordada e dançando dentro da minha cabeça, mas não comigo. Depois disso, percebo que sonhei a noite inteira contigo. Era um daqueles sonhos que pode se tornar realidade. Não havia nada de muito anormal nele, a não ser o fato de eu estar falando com você.

Repentinamente, fui para longe e observei a lua. Nossa, quão bela ela estava. Ficou cheia, pois toda ela queria me ver com ela. Olho para a lua e percebo que você está bem em baixo dela. Já que era assim que se encontravam, então que todos sumissem, que todas as luzes se apagassem e que eu me aproximasse de você para dizer que me apaixonei e para dançar a mais bela de todas as danças, a vida, ao teu lado. Rodar-te-ia pelo salão, pegaria na tua pequenina e suave mão e tocaria tuas costas com a outra. Juntava meu corpo ao teu, minha boca à tua face, meu nariz ao teu cabelo, meu coração ao teu desejo. Sussurrava a ti palavras nunca por mim ditas.
Calar-me-ia e encontrava teus olhos fechados. Ao olhar-te, vejo a transparência de tudo que há de mais belo na existência.

Combina menina com jeito de mulher, mas com a mais pura das crianças encravada em seu peito. Rosas. Dançarina árdua, mas com o mais lindo sonho vivo em sua mente. Vinho. Enigmática e falante, mas com o silêncio mais orquestrado que pode haver no seu ser. Chocolate.

Sim, você existe. Mas ainda não sou seu par no salão.



(à MRCS)

quarta-feira, 30 de maio de 2007

A vida inteira que poderia ter sido I


Na infância, ele não poderia ter feito nada. Não por defeito, nem desfeita, nem por mal-querer. Não poderia ter feito nada, pois aquilo ainda não tinha tocado seu coração do jeito que deveria ter tocando, do jeito que toca hoje. Mas agora que toca, parece que já não adianta mais.

Pensa que melhor seria se tocasse nela, agora, do jeito que toca nele. Antes, tocara nela e não nele. Amores de infância são assim mesmo, de infância, da infância. Pertence a inocência dela, a sua pureza. E suas ilusões são permitidas, pois são, mesmo que somente ilusões, lindas. Então se cresce e parece que não se permite mais sonhar, desejar, iludir.

Criança não tem medo de viver, não tem medo de entrar num caminho errado e acabar caindo. Tanto se luta para caminhar e depois que acha que já pode correr, não quer mais ver o chão como um apoio, prefere acreditar nas suas pernas. Infância. Ele pensa nas coisas que deveria ter feito, mas vê que se tivesse feito antes o que fez hoje, talvez tivera antecipado o que acontece hoje, o fim. No entanto, não sabe se melhor seria ter o fim antes ou agora. Gostaria mesmo que o fim não chegasse, mas parece inevitável.

Medo, por que apareces depois da infância? Por que não desde crianças para que todos possam se acostumar com você? Talvez porque não queiras que seja vencido. Não quer perder. Pena pra você, pois mesmo assim, alguns ainda conseguem derrotá-lo. Pena pra mim, pois com 1 x 0 favorável a mim, ainda ganhas.

terça-feira, 22 de maio de 2007

Lembranças Proibidas I


Mês: outubro, o resto não é preciso.Era uma tarde de poucas nuvens, de sol não muito forte, vento agradável e a rua estava deserta. Todos estavam em suas casas, seus lares. Mas havia uma casa que não tinha ninguém. Era chamada de “Casa de Vidro”, pois quem estava fora dava para ver tudo o que acontecia dentro dela. No entanto, esta bela casa já estava para ser alugada há algum tempo e um fato tenebroso acontecera lá há algum tempo, caso de morte, por isso ninguém a alugava. Haviam rumores de que iam demoli-la pra construir um prédio.
Em frente a essa casa, do outro lado da rua, estavam três jovens. Duas garotas e um garoto. Era um casal e uma prima dela. Estavam quase que sentados em uma árvore e olhavam para a casa. O casal ainda não tinha se beijado e ele esperava ansiosamente por isso. Seu coração batia a qualquer ocasião que ele achasse palpável, mas não passou pelos seus pensamentos que ali poderia ser seu momento. E foi.
Meio que por acaso, meio que rápido demais, mas duradouro e completo. A prima ai à frente quando se virou para ver o porquê do silêncio dos dois, deparou-se com um lindo, meigo e puro beijo. Mas ela não conseguiu ouvir o barulho de gritos e pulos de alegria que saltavam dentro dele.O dia não importava, o local também não. Se alguém via não importava, se as nuvens mudassem também não.Que o mundo acabasse, pois tudo estava completo.

terça-feira, 8 de maio de 2007

Nós Inesquecíveis I

Não sabe seu nome, nem idade, nem onde mora. Mas ela mexe com ele de uma maneira nada normal.

Só teve a oportunidade, a ilustre oportunidade, de vê-la apenas duas vezes na sua vida. As duas, por acaso.

Na primeira, sua barriga sentiu um frio incomum. Olhou pra ela e quando percebeu que ela ia olhar para ele desviou seu olhar e o frio aumentou. Não sabia o que pensar. Achou tudo muito estranho e tentou tirar tudo aquilo da sua cabeça. Não conseguia. Passou a esperar ansiosamente por uma nova oportunidade de olhar pra trás e vê-la. A oportunidade chegou.
Olhou para trás e, sem que ela o visse olhando pra ela, a contemplava. Linda. Disse que da próxima vez ele ia encará-la para que ela percebesse que ele estava olhando pra ela. Mas não deu. Contemplou por uns 2 ou 3 segundos e virou o rosto. "Como pode isso acontecer? Que coisa mais estranha" ele pensava sem entender nada.

Mas estava decidido, na próxima oportunidade ele iria encará-la. Não sabia o que poderia acontecer, mas queria ter a chance de olhar nos olhos dela. Sua pele parece tão macia, seus olhos calmos, mas atentos. Sua boca bem desenhada e da cor de um vermelho nem tão vermelho e de um rosa não tão rosa. Cor única. Bochechas bem desenhadas e de uma simetria sem-igual. Um nariz redondo, bem feito, como se tivesse sido modelado quando criança. Um queixo não tão redondo, mas com um leve apontamento. Sobrancelhas bem feitas, mas com um desenho normal. Enchida mais do lado perto do nariz e com um e ia afinando suavemente até não restar mais nada. Sua direita estava meio bagunçada. Devia ser por causa do seu olho que estava meio irritado e, por isso, avermelhado. Seus olhos, enfim, ele pode ver seus olhos. Seus lindos olhos com de castanha com mel em cima. Nunca vira nada igual e nem queria depois dela. Um fundo claro, sua pele branca macia combinando perfeitamente. Um conjunto moldado, arrumado, planejado e pensando. Sua pele não era um branco pálido, nem um amarelo doente. Era um branco suave, idealizado, e nunca imaginado. Nem mesmo parecia real.

Enfim, uma nova oportunidade de ele poder encarar ela surge. Ele vira para trás e lá está ela no mesmo lugar, sentada do mesmo jeito, mas agora ele iria prestar atenção nos seus olhos e tentar ver o que tinha por trás deles. Virou. 1, 2, 3, 4, 5. Cinco segundos. Ela virou. Tinha mais gente ao nosso redor, ia ficar algo estranho e constrangedor para nós dois caso alguém percebesse algo. Cinco segundos. Ele conseguiu olhar pra ela por cinco segundos tirar os olhos dela. Sua barriga, novamente, gelou um frio mais intenso que o de antes. Nunca sentira isso. Chegou a ter um certo mal estar, mas foi bom. O que ela estava pensando quando ele a olhava? Será que ela imaginava tudo aquilo. Será que ela imaginava que ele iria ter coragem e força suficiente para encará-la? E depois, o que será que ela pensou depois?

Vestia uma calça jeans meia clara com pequenos detalhes nas costuras da perna do lado de fora. Uma sandália branca. Uma blusinha com cores claras variadas e com um casaquinho simples por cima dos ombros. Seus cabelos estavam soltos, meio loiros, meio ruivos, meio negros. Mais loiros que ruivos, mas parecia natural.

Pronto. Isso foi o suficiente para que ela não saísse mais de sua mente.
Na segunda vez, não houve tanta coisa e nem, ao menos, deu para ele ter a certeza de que era ela mesmo. Mas era!

Ele ia numa direção, havia muita gente em torno de todos. De repente, ele pára e se encosta em uma coluna redonda, como se tivesse esperando algo. Mas cansa. Então, resolve caminhar um pouco e depois voltar para a coluna. Ao se desencostar da coluna e virar para seu lado direito, vê um grupo de amigos com 5 pessoas e ela estava no meio de frente pra ele. Ela poderia estar de lado ou mesmo de costas, mas ela estava de frente. Ao olhar pra frente viu que ela estava de olho na sua direção. Era como se ela soubesse que ele estava ali, que ele iria se virar, que eles iriam se ver, que a barriga dele iria gelar, que isso iria deixar ele nervoso e sem saber qual atitude tomar. Sentiu um frio instantâneo em suas entranhas e suas pernas batiam uma nas outras. Rapidamente ele volta para seu local de origem e fica nervoso e sem saber que atitude tomar. Como ela pode ter adivinhado isso? Mas dessa vez, ele não espera uma oportunidade e vai lá. Cria coragem e vai. Vira para a direita e ver que o grupo permanece lá, mas só 4. Sem ela. Procura ao redor, tenta subir em alguma coisa para tentar vê-la. Pula. Corre de um lado para outro, mas não a encontra.

Sem ela. E assim sua vida segue.

Não importa se ele nunca ouviu sua voz. Não importa se ele está sem ela. Ela não o conhece ou mesmo se nem o nome dela ele sabe. Ele pensa nela. Não importa se ela não sabe disso. Só importa que ela existe. E, para ele, isso já é algo maravilhoso.

domingo, 13 de agosto de 2006

Joaquim

Joaquim mora em uma pacata cidade no interior do mundo. Tudo bem, não tão pacata assim. Em todo o ano passado a polícia registrou 13 assassinatos, 28 assaltos e 15 mortes por motivos desconhecidos. Entidades da cidade dizem que esse número vai aumentar, mas Joaquim não quer nem saber disso. Possivelmente, nem sabe dessas estatísticas sobre sua cidade.

A casa de Joaquim é meio estranha. Parece que não é limpa há meses. Tem dois quartos, um dele e outro que era pra ser de hóspedes, mas funciona com uma espécie de depósito. Na cozinha não há quase nada. Uma geladeira velha praticamente vazia, uma pia quebrada na ponta com uma torneira pingando, uma mesa no centro com alguns sacos de supermercados rasgados, caixas de pizza e algumas latas já enferrujando. Na sala há um sofá velho com uns buracos que as duas almofadas se esforçam para esconde-los. Na mesinha de centro, mais papel de bombom, caixas de cereais e de leite. No entanto, há uma televisão nova que foi ganha num bingo durante um festejo da igreja há muito tempo, mas que quase nunca foi usada.

Joaquim não fica muito tempo em casa. Passa a maior parte do dia sentado no quintal em frente sua casa. Como o muro é baixo, ele pode ver as pessoas passando e elas o vêem sentado em uma cadeira, com barba grande, roupas rasgadas, pele oleosa, chinelo em um pé somente e uma latinha de cerveja na mão. No quintal não há flores, ou rosas, ou mesmo grama. No lugar delas há latas e garrafas de cerveja e cachaça.

As pessoas vão e vem, mas nenhuma fala com ele. Ninguém estende a mão, grita seu nome ou mesmo dá um "oi". Ninguém o conhece. Ele não conhece ninguém. Não tem amigos, colegas ou família. Vive sozinho.

Ao chegar da, esperada, noite, espera não haver mais ninguém na rua. Vai para o quarto, deita-se na cama - única parte limpa da casa - , puxa o único retrato da casa, que está em baixo do travesseiro vizinho ao seu, olha profundamente para a mulher da foto e diz:

- Espero encontrar-te, para a vida eterna, hoje.

quarta-feira, 9 de agosto de 2006

Sinto Falta de Sentir Você

De repente fecho os olhos.
Sinto falta de você. Sinto falta do seu abraço. Do seu carinho. Do ventos dos seus cabelos. E do tato da sua pele.
Sinto falta do seu sorriso. Sinto falta do seu olhar. Do seu jeito de tocar. Do seu andar. E de tudo em ti que nunca reparei.
Olhar que nunca tive. Tato que nunca senti. Sorriso que nunca ouvi. Sinto falta do que nunca tive. Como pode?
Penso em abrir meus olhos para enxugar as lágrimas. Mas já estavam abertos.
Estava te vendo e não sabia. Estives-te sempre no meu coração, mas só agora a vejo.
Sinto falta da lágrima que não caiu. Mas fico feliz ao, finalmente, desaborchar da rosa.
Encontrei-te.

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Passei um tempinho sem postar aqui, né?! Pois é, faltou-me tempo, mas estou eu a escrever textos, um dia passo pro computador e coloco aqui.